Meditação com tambor e terapias alternativas em empresas viram negócio

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Ajudar empresas a mudar o clima no trabalho com meditação e tambores virou negócio. Inspiradas em megacompanhias como Nike, Google e Goldman Sachs, que estimulam a prática da meditação entre os funcionários, três iniciativas em São Paulo oferecem a pequenas e grandes empresas momentos de relaxamento zen.

Há um ano e meio, Mônica Jurado, Cristiane Velasco e Patrícia Alcântara iniciaram o projeto Meditação com Tambores, um curso que une meditação, música e xamanismo. As aulas já eram oferecidas a pessoas físicas e começaram a ser realizadas em empresas. O investimento inicial do negócio foi de R$ 80 mil.

A frequência das aulas varia conforme o objetivo da empresa. “Quanto mais responsabilidades e decisões importantes você tem que tomar, maior é a demanda na energia calma e criativa no sistema”, diz Mônica Jurado. “A meditação balanceia emoções, melhora o discernimento, a intuição, e ajuda no equilíbrio emocional e na capacidade de atenção e foco.”

Um curso com a lotação de 30 pessoas pode custar R$ 4.950. Conforme o tempo da aula, é cobrado um valor de R$ 65 a R$ 165 por participante. O faturamento não foi informado, mas o negócio acabou de inaugurar uma sede própria no bairro de Pinheiros, no dia 7 de maio.

Terapia de traumas familiares

A consultoria Conexão Sistêmica usa nas corporações uma chamada terapia de tratamento de traumas familiares. Segundo Oswaldo Santucci, um dos sócios, a técnica conhecida como constelação sistêmica considera os indivíduos como parte de sistemas de relações.

Nas empresas, são usados métodos psicoterápicos e de coaching, que trabalham com emoções e energias inconscientes.

O empresário Vinicio Norio, dono de uma distribuidora dos cosméticos Hinawari, com faturamento anual de R$ 2 milhões, primeiro tratou problemas familiares com Santucci. Depois, contratou o serviço para realizar uma consultoria na empresa. Hoje, são três negócios atendidos. O período de consultoria dura três meses. O valor do serviço não foi informado.

Resultado pode não ser mensurável, mas risco é baixo

O coaching Sérgio Resende, da consultoria EcoSocial, lembra que há uma década, quando se falava em meditação e relaxamento no ambiente de trabalho, havia grande estranhamento nas corporações. “Mas, hoje, as pessoas já dizem que precisam disso. Tem se tornado cada vez mais comum.”

Embora os resultados não sejam mensuráveis, os riscos envolvidos na contratação desses serviços se limitam aos custos. Em geral, o efeito de clima é positivo.

“O que tenho visto é que a tensão do dia a dia vai levando a um estado de estresse que piora a qualidade das decisões. Os indivíduos que vão procurar meditação acabam se centrando e tomam novas decisões para a vida e para o negócio.”

Prestador de serviço deve evitar ser refém de grande empresa

A consultora do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa de São Paulo) Ariadne Terrado diz que existe mercado. “As empresas estão com esse olhar mais holístico.” Mas alerta que, para lucrar, prestadores de serviço desse segmento precisam conhecer a fundo a filosofia das companhias que as contratam. Somente assim serão capazes de adequar-se a elas.

É preciso, também, avaliar se o contrato vale a pena. “O pequeno empresário se empolga para atender uma grande empresa, mas o valor pode não compensar, é preciso analisar os custos para prestar serviço.” A consultora também recomenda ter capital de giro, porque nem sempre grandes empresas pagam de imediato pelo serviço.

Outro risco é ficar refém de uma única empresa. “Ele, prestador de serviço, pega um contrato para dar aula de meditação, com uma estrutura pequena, e fica exclusivamente atendendo essa grande empresa. Mas, se um dia terminar o contrato, ele fica sem cliente nenhum. Tem que montar estrutura para atender grande empresa e os clientes que já tem.”

Onde encontrar:

Meditação com Tambores: meditacaocomtambores.com.br

Energia Vertical: facebook.com/energiavertical

Conexão Sistêmica: conexaosistemica.com.br

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