Ex-lavador de copos e camelô vira sócio de patrões e abre restaurante em SP

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Conheça o ex-lavador de copos que abriu restaurante

O ex-lavador de copos e camelô Jenival de Carvalho Oliveira (à esq.), abriu um restaurante em São Paulo (G de João) com seus ex-patrões, Sérgio Cardoso (na foto, à direita) e Carlos Perregil; os antigos chefes são os investidores do negócio e acreditaram nele porque se destacou como funcionário. Clique nas imagens acima e saiba mais da história Divulgação

Desde 1996, quando deixou sua cidade natal, Paulistana (a 461 km de Teresina), rumo a São Paulo, Jenival de Carvalho Oliveira, 37, passou por vários empregos. Trabalhou em uma distribuidora de alimentos, em um bar, foi padeiro e também camelô. Só conseguiu estabilidade em 2002, ao ser contratado por um restaurante como lavador de copos.

Nesses 12 anos, Oliveira passou a garçom, gerente e, no início de agosto, tornou-se dono do próprio restaurante, o G de João, na zona leste da capital. O estabelecimento é especializado na culinária nordestina e foi aberto em sociedade com os antigos patrões: Sérgio Cardoso, 53, e Carlos Perregil, 55.

Os ex-chefes são donos de dez estabelecimentos, entre eles o restaurante japonês Nahoe e o Bar Jordão. Foram eles os investidores do novo negócio e Oliveira é quem comanda o dia a dia da empresa.

“Fui eu quem sugeri a abertura do negócio e encontrei o ponto comercial. Eles entraram com o capital, e o lucro é dividido entre todos”, diz.

Por comandar o negócio, Oliveira fica com uma parte proporcionalmente maior do lucro, afirma. O valor de investimento e a participação de cada sócio no lucro não foram divulgados.

Entre os pratos servidos no G de João estão: arrumadinho, baião de dois, sarapatel, caldo de mocotó e dobradinha. Os preços variam de R$ 26 a R$ 40, dependendo do pedido.

Segundo Oliveira, nos finais de semana, são atendidos entre cem e 200 clientes por dia. Nos dias úteis, porém, o número cai para cerca de 50 pessoas diariamente. O faturamento não foi revelado.

Empreendedor já vendeu guarda-chuva na saída do metrô

Oliveira conta que foi o último de 12 irmãos a vir para São Paulo. Segundo ele, o momento mais difícil foi quando ficou desempregado e acabou virando camelô por oito meses. “Vendia de tudo, até guarda-chuva na saída do metrô”, diz.

No Bracia, restaurante onde era lavador de copos, o piauiense se destacou e, em seis meses, foi promovido a garçom. Quatro anos depois, ele assumia o posto de gerente. “Sempre tive interesse em aprender a fazer outras coisas. Acho que foi isso o que chamou a atenção dos meus superiores”, afirma.

Segundo Sérgio Cardoso, o então funcionário era bastante proativo e vestia a camisa da empresa. “Ele também é muito carismático, chama o cliente pelo nome e consegue cativá-lo com facilidade. O mérito por se tornar sócio do restaurante é todo dele”, declara.

Os antigos patrões também bancaram um supletivo para Oliveira, que havia abandonado a escola na sexta série, e um curso de gestão de negócios. “Quando você vira patrão, a responsabilidade aumenta. Há dias em que trabalho mais de 12 horas e, além das contas de casa, tenho as da empresa para pagar”, diz.

Poucas empresas incentivam a proatividade, diz especialista

Para Cinthya Serva, coordenadora do centro de empreendedorismo e inovação do Insper, Oliveira é um exemplo de intraempreendedor. “É um tipo de funcionário que tem atitude e visão de dono do negócio. É proativo, sugere mudanças e faz mais do que lhe é pedido ou exigido”, afirma.

A especialista diz que, quando um negócio tem à frente alguém com esse perfil, as chances de sucesso aumentam. “Provavelmente, o antigo patrão enxergou nesse funcionário características que ele não tinha e, por isso, formaram uma sociedade.”

O problema, segundo Serva, é que poucas empresas incentivam o intraempreendedorismo no seu dia a dia. “Especialmente nos pequenos negócios, os empresários não estimulam funcionários proativos, seja por falta de conhecimento ou por serem centralizadores demais”, declara.

Serva afirma, ainda, que, para incentivar a proatividade de seus funcionários, é preciso mudar a cultura do negócio. “É um processo que exige confiança e responsabilidade de todos. O patrão deve ouvir sua equipe, estudar as sugestões e os problemas apontados, enquanto o empregado tem de vestir a camisa da empresa.”

Onde encontrar:

G de João: Avenida Sapopemba, 1.311, Vila Regente Feijó, São Paulo. Fone: (11) 4306-7430. Site: gdejoao.com.br

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