EMpresa ou EUpresa?

326
Empresa ou EUpresa - Conexao Empreendedora

Por José Aquino

EMpresa ou EUpresa? – Nos dias de hoje, cada vez mais pessoas decidem largar seus empregos e montar o próprio negócio. E muitos jovens sequer entram no chamado mundo corporativo, simplesmente começam a vida profissional por conta própria.

Se você é um empreendedor, deve responder a uma pergunta fundamental: você tem uma EMpresa ou uma EUpresa?

Em geral, empreendedores possuem uma ideia que querem desenvolver, ou são especialistas em alguma coisa e decidiram atuar por conta própria, mas não possuem muita estrutura.

Alguns iniciam com sócios, outros sozinhos. Alguns pensam em ter investidores, outros não seguem esse caminho.

Seja qual for o modelo escolhido, poucos negócios começam grandes e bem estruturados. E raramente começam com um plano para o futuro.

No segmento de serviços, o que mais cresce, é bastante comum ouvirmos explicações do tipo “quando crescer, terei condições de profissionalizar o negócio”, ou “preciso faturar mais antes de pensar em ter colaboradores”. E é aí que está a armadilha.

Muitos dos empreendedores são profissionais que já atuavam no ramo, trabalhando para alguma empresa. Aproveitam seu conhecimento e decidem atuar por conta própria, geralmente para suprir o desejo de não ter mais chefe.

Por serem competentes e reconhecidos, começam a vender o próprio nome para fechar negócios, o que não é, de forma alguma, uma estratégia ruim para começar.

Quando vendemos algo, na verdade, vendemos três coisas: a solução oferecida, a empresa e nós mesmos. O que acontece nesse caso, é que a empresa e a pessoa são praticamente a mesma coisa. É uma EUpresa.

O risco é não conseguir crescer. Os negócios vão aparecendo e o tempo do EUpreendedor se torna escasso. Por não conseguir mais atender a demanda, terceiriza serviços de administração e continua sendo o responsável pela entrega do serviço ao cliente. Isso gera um fôlego extra que, em seguida, acaba.

Surge a necessidade de ter mais gente para prestar o serviço e o EUpreendedor vai procurar pessoas capazes de fazer isso. Eventualmente, encontra, mas quando conversa com os clientes descobre que eles não querem que o serviço seja prestado por outra pessoa. O EUpreendedor se torna vítima da própria competência como executor.

Passa a viver com a agenda lotada de trabalho, começa a rejeitar novos clientes por não conseguir atendê-los, sofre por não ver alternativas de crescimento, vive estressado e, depois de algum tempo, começa a pensar que não tem competência para ter o próprio negócio.

Passa a considerar seriamente a possibilidade de voltar ao mercado, ter um chefe já não parece tão ruim.

Por fim, fecha ou suspende as atividades da EUpresa, ou seja, pede demissão de si mesmo.

Onde está o erro?

O erro está em não se preparar para crescer como negócio. Nenhuma empresa sobrevive no longo prazo se depender de uma única pessoa. Desde o início, o empreendedor precisa associar sua própria competência à marca da empresa que criou. Se é que criou uma marca…

O conceito é simples, mas não é uma tarefa fácil. Parcerias, terceirização, sócios, marketing agressivo… essas e outras alternativas devem ser consideradas e não há solução única. Cada negócio tem seu próprio contexto e cabe ao empreendedor definir o que melhor atende suas necessidades.

O fato é que a empresa deve ter vida própria, o empreendedor precisa ser prescindível. E quanto mais tarde isso for feito, mais difícil será dissociar seu nome do seu negócio.

Se você pretende ter uma EMpresa ao invés de uma EUpresa, construa uma estratégia de crescimento. E chame ajuda.

Ou você não acredita no futuro do seu negócio?

COMPARTILHAR