Empresa exporta a 35 países ossos feitos com plástico de prancha de surfe

163

Fabricar crânios, fêmures, tíbias e outras 400 réplicas de ossos humanos e de animais é o negócio da Nacional Ossos, em Jaú (287 km a noroeste de São Paulo). As peças são feitas de poliuretano –uma resina mineral utilizada na fabricação de plásticos e espumas. É o mesmo material usado na produção de pranchas de surfe, por exemplo.

A empresa faturou R$ 3 milhões em 2013, alta de 50% em relação ao ano anterior, quando atingiu R$ 2 milhões, segundo a sócia da empresa Fabiana Franceschi, 40. Para 2014, a meta é manter o crescimento de 50%.

Atualmente, a companhia exporta seus produtos para 35 países, entre eles, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Irlanda do Norte, Israel e Itália. Os principais clientes do negócio são instituições de ensino na área de saúde, indústrias ortopédicas e consultórios médicos e odontológicos.

Franceschi diz que esses ossos são usados em treinamentos e demonstrações de técnicas cirúrgicas e não podem ser implantados em pessoas ou animais. “Em uma aula de ortopedia, por exemplo, é possível usar 20 ossos de pés artificiais para os alunos treinarem uma cirurgia. E nem sempre a instituição dispõe desta mesma quantidade de ossos humanos.”

As universidades dependem de doações para usar ossos naturais nas aulas e o acesso a peças anatômicas está cada vez mais difícil, segundo a Sociedade Brasileira de Anatomia. Desde 1992, com a publicação da Lei nº 8.501, a maioria das instituições usa corpos que não foram procurados por amigos ou familiares das pessoas mortas.

Os preços variam de R$ 14, para um dedo indicador, a R$ 668, uma coluna completa com bacia e fêmur. As peças mais vendidas são a mandíbula desdentada e o fêmur, que custam R$ 36 e R$ 57, respectivamente. A empresa não fabrica esqueleto completo. “A maioria das pessoas quer comprar um esqueleto para decoração e este não é o nosso foco.”

A companhia também produz ossos em acrílico. “Alguns cirurgiões precisam enxergar dentro do osso para treinar certos procedimentos cirúrgicos”, diz Franceschi. O preço do acrílico, porém, é quatro vezes maior do que o osso de poliuretano, de acordo com a sócia do negócio.

Franceschi afirma que são produzidas 5.000 peças por mês, sendo mil mandíbulas e mil fêmures. A produção de crânios chega a 200 unidades mensalmente. O valor médio de cada compra é de R$ 50. As vendas são realizadas pelo site da empresa ou por uma equipe interna que agenda visitas e vai até o cliente.

Empresa teve ajuda de faculdades para produzir ossos sintéticos

A ideia de negócio surgiu em 1995, quando Franceschi e o sócio Paulo Costa e Silva Filho, 42, faziam pesquisas com fibra de vidro e poliuretano para serem usados em barcos de turismo. Foi aí que o dono de uma indústria de equipamentos ortopédicos pediu para que eles fizessem um fêmur sintético.

Os sócios aceitaram o pedido e, com a ajuda de laboratórios de anatomia de algumas faculdades, desenvolveram o produto. “Fazíamos uma espécie de permuta com as faculdades. Eles nos ajudavam a produzir e nós doávamos parte da produção para eles”, diz Silva Filho.

A partir daí, os sócios passaram a visitar potenciais clientes para apresentar o produto. Em 2004, a empresa começou a exportar. “Médicos que participavam de treinamentos e cursos no exterior levavam os nossos ossos para fazer suas apresentações ou usar como modelos durante as aulas. Com isso, acabavam divulgando nosso produto”, afirma Franceschi.

A empresária diz que, com isso, resolveu intensificar o esforço na exportação. Contratou funcionários focados apenas nas vendas para fora do país e, hoje, o mercado externo representa 10% da receita do negócio.

Mercado é restrito e dificulta entrada de novos negócios

Para o coordenador de inovação e empreendedorismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Alexandre Nabil Ghobril, o mercado de ossos sintéticos é muito restrito, o que pode limitar a possibilidade de crescimento de uma empresa que já atua no setor e dificultar a entrada de novos negócios.

Além disso, Ghobril afirma que as empresas deste segmento também enfrentam forte concorrência do mercado externo. “Um negócio de pequeno porte com uma produção reduzida pode não conseguir competir em preço e divulgação com empresas internacionais.”

No caso da Nacional Ossos, o especialista diz que exportar foi uma estratégia viável para crescer dentro de um mercado limitado. “Antes de começar a exportar, no entanto, é preciso pensar em como será o transporte e a divulgação dos produtos. O empreendedor também deve dominar outro idioma e participar de eventos internacionais para apresentar a empresa.”

Como encontrar:

Nacional Ossos: (14) 3626-2222. Site: www.ossos.com.br

Leia mais em: http://zip.net/bpnchB

 

COMPARTILHAR