Agilidade que sobrepõe o bem escrever

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Close-up of secretary’s hands doing paperwork

Certo ou errado é algo questionável? Muitos dirão que respostas categóricas são muito relativas, principalmente com o advento da web, em que democraticamente todo indivíduo possui “voz”, e a multiplicidade de opiniões colide ou soma em um emaranhado sem fim.
Entretanto, imagine se deixássemos de lado todas as convenções e regras para cada um agir segundo seu próprio gosto? Isso seria uma catástrofe para o convívio comum e a comunicação salutar entre as pessoas.

Cada domínio do conhecimento possui lá seus acordos, cuja prática facilita o viver. Os trajes, por exemplo, são bem diversificados e seus usos bastante maleáveis nos dias atuais, mas todos sabem que não é conveniente ir em “trajes de banho” para as empresas que trabalhamos. O que seria do trânsito se nós abolíssemos os semáforos e as placas de sinalização?

Cada cidade, país, entidade ou corporação possui códigos de conduta, e com a linguagem não seria diferente. Adequamos nossa linguagem oral e escrita de acordo com os veículos, as plataformas e as circunstâncias; a cada ocasião podemos adotar uma maneira mais informal, em uma conversa entre amigos, por exemplo, ou podemos ser mais formais e polidos em uma tratativa com nossos superiores ou mestres. Textos mais curtinhos e objetivos para “tuitar” e mais estruturados em uma carta ou email empresarial. A riqueza da língua e suas possibilidades são quase infinitas.

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Entretanto, a escrita possui parâmetros – por mais que alguns imaginem seu risco iminente de extinção, as regras formais de ortografia e gramática ainda vivem. A velocidade e urgência típica dos profissionais de marketing, publicitários e usuários da web e redes sociais reverberam no formato descuidado de publicações e posts. É muito comum jovens usuários (mas não apenas eles) – tão familiarizados com as tecnologias de ponta, que optam por utilizar plataformas digitais integradas como o Facebook e Whatsapp, carimbando grotescamente as relações empresariais embaralhadas com as pessoais de forma equivocada.

Como reinventar uma escrita inteligível, de forma a harmonizar públicos tão distintos? É um desafio que precisa ser vencido e nem mesmo os especialistas da área chegam a um consenso sobre o tema.

A defesa em prol da facilidade de comunicação mais democrática e ágil, na ponta dos dedos de uma população ávida por se expressar é louvável, mas isto não significa que as regras gramaticais e ortográficas desabaram de uma só vez. O fato de que todos possuem voz e influência sobre marcas, produtos e empresas, não necessariamente acarretará a derrocada automática da Língua Portuguesa. O uso equivocado das expressões e concordâncias na Língua Portuguesa evidencia o quão pouco dominamos a escrita e a comunicação.

Uma comunicação bem estruturada e redigida corretamente é um componente importante que contribui favoravelmente à imagem de nosso negócio e sem dúvida será mais assertiva. Linguagem essa muito bem-vinda em um cenário de alta competência.
Palavra Bem Escrita

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Teka Santovito
Sempre muito focada nos princípios éticos, no envolvimento e na valorização da comunicação. Turismóloga e mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Especialista em Comunicação Social e Desenvolvimento Turístico. Consultora nas áreas de comunicação, marketing, cultura e entretenimento. Sócia-diretora da Palavra Bem Escrita e docente em cursos de graduação e pós-graduação em São Paulo.